• Dívidas de servidores com empréstimos consignados cresce e assusta bancos
  • 02 set 2017

consignado1No momento em que o governo federal propõe o adiamento dos reajustes dos servidores de 2018 para 2019 e corte de benefícios e os governos estaduais atrasam o pagamento de salários, as dívidas do funcionalismo público alcançam a casa dos R$ 173 bilhões apenas com o consignado. Este valor é quase 10 vezes mais que os débitos dos trabalhadores da iniciativa privada, que somam R$ 18,1 bilhões.

As dívidas dos servidores no consignado aumentaram R$ 5 bilhões, ou R$ 715,6 milhões por mês somente este ano. Diante desta situação os bancos entraram em situação de alerta porque sabem que muitos servidores não devem só no consignado, cujo desconto das prestações é feito no contracheque. Eles também devem no cartão de crédito e no cheque especial.

Para os avaliadores do setor de crédito o superendividamento do funcionalismo é uma realidade inegável. Há casos dramáticos, de pessoas que esgotaram os limites de crédito dos bancos e vivem nas mãos de agiotas.

Se agora estão preocupados, os bancos não podem esquecer que foram os maiores incentivadores do endividamento dos servidores. Inclusive porque sempre acreditaram que, como não podem ser demitidos, os servidores apresentam riscos muito baixos de inadimplência. E por isso montaram fortes esquemas de marketing para oferecer empréstimos a esse público. No entanto, a crise fiscal que se instalou no governo Temer no setor público mostrou que a realidade mudou muito.

Dados do Banco Central justificam a preocupação dos bancos. Os dados mostram que o índice de calote no crédito consignado dos servidores aumentou de 0,3% para 2,5% nos últimos 12 meses. Índice maior do que o 1,9% observado entre os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os juros do crédito consignado para os servidores têm se mantido estáveis. Conforme os cálculos do Banco Central, estão em 25,9% ao ano. Os mais baixos do mercado.